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Agricultores viram ‘empresários’ em esquema de fraude em Areal

Agricultores viram ‘empresários’ em esquema de fraude em Areal

December 17
09:24 2013

Rio (com informações do jornal O DIA) - Sem saber ler e escrever, ele carrega, com vigor, a enxada com as mãos calejadas pelo tempo. As rugas profundas marcam o rosto pela idade, 67 anos. As roupas simples e o inseparável chapéu de palha remetem à história de vida de Sebastião Furtado. Trabalhador rural, como ele mesmo diz, desde que ‘se entende como gente’, a trajetória é oposta à que mostra o seu currículo no mundo dos negócios como empresário. Em nome dele há 13 empresas, entre elas, postos de gasolina e churrascaria com dívidas trabalhistas e tributárias incalculáveis. Só em multas expedidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), os valores podem chegar a R$ 20 milhões.

 ‘Seu’ Sebastião é uma das quatro pessoas humildes localizadas pelo DIA no pequeno município de Areal, Centro Sul Fluminense. Em comum, elas são analfabetas ou com pouca instrução, mas aparecem como sócias de 50 empresas com dívidas estimadas em mais de R$ 50 milhões. Ao todo, 12 pessoas, que alegam ser vítimas do megaesquema de fraude, lutam na 1ª Vara da Comarca de Três Rios, na 108ª DP da cidade, no Ministério da Fazenda e na Justiça do Trabalho para limpar os seus nomes. Dizem ter sido usadas como ‘laranjas’ de empresas montadas a partir de documentos pessoais entregues para trabalhar ou alugar casas na Fazenda e Haras Monte Bello S/A, conhecida como Rancho Fundo, em Areal. 

“Todos os dias, eles recebem alguma notificação. Já não temos como calcular quanto essas pessoas humildes devem”, explica o advogado Adilson Costa, que junto com Antônio Carnevali, atua na defesa do grupo. Igor de Almeida Pereira, 28, por exemplo, com 20 empresas em seu nome, é o recordista na clientela dos profissionais. 

Nos processos localizados na Justiça, o contador e advogado Luiz Felipe da Conceição Rodrigues é apontado como o principal mentor intelectual das fraudes.Como a coluna ‘Justiça e Cidadania’ publicou com exclusividade em outubro, Luiz Felipe ficou bastante conhecido na década de 1990, quando chegou a ser preso por agentes da Polícia Federal. Em 2009, ganhou mais duas condenações na 8ª Vara Federal Criminal que, somadas, chegam a oito anos e nove meses de prisão. Mas ele recorreu das decisões e continua solto. 

 

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