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Casos de Meningite preocupam governos e apavoram comunidade da região

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Casos de Meningite preocupam governos e apavoram comunidade da região

December 02
12:48 2014

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Como personagem de filme de terror que nunca morre, mas sempre arruma um jeito de voltar, a região voltou nas últimas semanas a se deparar com um fantasma antigo: a meningite. Com duas mortes confirmadas em Macaé e outra em Rio das Ostras apenas este mês a doença parece ter voltado com força total na região. Embora os casos, ainda isolados, não configurem surto ou epidemia, o fato é que a doença vem causando pânico em ambas as cidades. Na última terça-feira, dia 25, a secretaria de Saúde de Macaé convocou uma coletiva de imprensa para esclarecer a população sobre os recentes casos registrados na região. Ao todo, Macaé e Rio das Ostras confirmaram, só este ano, seis mortes pela doença (três em cada cidade). Além da doença, um dos problemas que aparecem na região é o inevitável pânico e comoção que as mortes causaram.

Durante entrevista coletiva, a secretaria de divulgou um balanço oficial sobre os casos de meningite na cidade. “Foram registrados 28 casos suspeitos notificados, sendo 18 confirmados. Dos dez restantes, seis foram descartados e quatro ainda estão em investigação. Dez casos foram de meningite por outras causas (viral, bacteriana ou fúngica) e oito confirmados para meningite meningocócica ou meningococemia. Registramos três óbitos. Esses quatro casos sob investigação correspondem a criança e a senhora do Lagomar e outros dois que seguem internados no Hospital Público Municipal (HPM), mas já foram descartados. Os exames foram encaminhados ao Laboratório Central, no Rio, para a contraprova, explicou o infectologista e coordenador de Epidemiologia, André Farias.

Em Rio das Ostras a prefeitura não divulgou um balanço oficial sobre os casos notificados e confirmados. Porém as noticias sobre casos na cidade não param de chegar. No início deste mês um homem morreu com suspeita de meningite meningocócica (o tipo mais letal). Esse será o terceiro registro de meningite na cidade, com a segunda morte só neste ano. Entre as mortes está uma menina, sobrinha do prefeito da cidade, Alcebíades Sabino.

Pânico em Casimiro: Em Casimiro de Abreu, a prefeitura confirmou um único caso de meningite esta semana, porém do tipo viral (o menos letal e não contagioso). O contaminado foi um estudante de 16 anos, que já está com a saúde estável, sem risco de morte. A oposição na cidade tentou causar pânico e chegou-se a espalhar boatos sobre uma possível epidemia. Porém, na cidade, não há a confirmação nem sequer suspeita de nenhum caso.

 

Imunização é a melhor arma contra a doença

De acordo com o médico pneumologista Gleison Guimarães, responsável técnico pela Clinicar Clínicas e Vacinas, existem dois tipos de imunização: a Meningocócica C conjugada e Meningocócica ACWY (tetravalente) conjugada.

É recomendada a aplicação de duas doses da vacina contra Meningococo C conjugada no primeiro ano de vida, e uma terceira dose de 12 a 15 meses de idade. Após os 12 meses de vida, deve ser aplicada em dose única. É recomendável um reforço aos 5 anos de idade com meningocócica C conjugada, e um segundo reforço preferencialmente com a meningocócica A, C, W135, Y (tetravalente) com 11 anos de idade.

“Existe um esquema ideal de doses para a prevenção da doença meningocócica que, provavelmente, ofereceria excelente proteção na primeira década de vida e sua manutenção após a adolescência: 02 doses nos primeiros seis meses de vida (2-4 ou 3-5 meses) com a Vacina meningocócica C conjugada; reforço a partir dos 12 meses de vida (15 ou 18 meses) com a vacina meningocócica C conjugada ou, a critério médico, utilização da meningocócica ACWY; reforço entre 4-5 anos de vida - com a vacina meningocócica ACWY conjugada; reforço na adolescência (a partir dos 11 anos) - com a vacina meningocócica ACWY conjugada; e, no caso de adultos, pelo menos uma dose da vacina meningocócica ACWY conjugada, se vacinado há mais de cinco anos”, declarou o médico Gleison Guimarães.

A vacina meningocócica conjugada A, C, W, Y da Novartis, internacionalmente conhecida como Menveo, previne contra 4 dos 5 grupos responsáveis pela doença meningocócica. A doença meningocócica é repentina e de rápida progressão, podendo levar o paciente à morte em um intervalo de 24 a 48 horas. Mais de 50 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da doença, que poderia ser evitada por meio de vacinas. A nova vacina é a primeira quadrivalente disponível no mercado que ajuda a proteger contra quatro dos cinco principais sorogrupos da bactéria meningocócica (A, C, W-135 e Y), porém, ainda não está disponível no Brasil.

LAGOMAR EM ESTADO DE
ALERTA APÓS DUAS MORTES

Na cidade de Macaé as duas mortes por meningite registrada no mês de novembro aconteceram no bairro Lagomar, entre elas uma menina de apenas sete anos. De acordo com a Secretaria de Comunicação do município, os pais da criança deram entrada na UPA no meio da madrugada, com o diagnóstico que apontava uma suposta infecção. Porém a criança também sofria de diversos outros sintomas, alguns bem característicos da meningite, o que levou à piora brusca do quadro e logo após, ao óbito, por volta de 5h da manhã.

A outra vítima foi Eliane Gonçalves Barbosa. Ela era vizinha de menina que morreu há dez dias, no Lagomar. De acordo com a secretaria de Saúde, embora os dois casos tenham acontecido no mesmo bairro não há indícios de surto. “Surto acontece quando várias pessoas são contaminadas em um determinado local bem específico como, por exemplo, uma escola ou uma empresa. Neste caso específico da criança, ela foi uma das três que não foram vacinadas contra a doença na escola que estudava. Porém, nenhuma outra criança foi contaminada. Por azar, a vizinha teve contato direto com a vítima e acabou se contaminando também”, explicou o chefe da vigilância epidemiológica, Dr. André Farias.

Em agosto, após a confirmação dos primeiros casos da doença em Macaé, a prefeitura de Macaé comprou 30 mil doses da vacina Meningo C (que previne contra a Meningite Meningocócega) e iniciou uma ampla campanha de vacinação de crianças até 10 anos nas escolas municipais. Na ocasião, foram aplicadas 18 mil doses da vacina, e ainda há milhares de doses em estoque, disponíveis nos postos do município. “Porém, justamente a criança que veio a falecer, foi uma das poucas que não se vacinaram. Para receber a vacina, o Ministério da Saúde exige autorização dos pais, mas, infelizmente, os pais da criança não autorizaram e veio a acontecer esta fatalidade”, conta o secretário.

Surto da doença é descartado

De acordo com a Dr. Lívia Lobo, uma das poucas neuropediatras que atendem na cidade, os casos não configuram surto, pois se houver um comparativo com os anos anteriores, a quantidade de casos foi similar. “Os casos registrados ainda são considerados isolados”, disse a médica.

Quanto à imunização, Drª Lívia não descarta a vacinação em todas as pessoas, sejam bebês, crianças, adultos ou idosos, mas devem acontecer de forma avaliada e sempre com respaldo médico, não de forma indiscriminada. “Pode haver a imunização por meio de antibiótico terapia, que é uma forma de bloqueio, assim como existem outras formas de prevenção e imunização, mas as pessoas devem procurar um infectologista para observar a faixa etária, o caso específico e assim, tomar o medicamento que melhor convém”, salientou a médica, frisando que a imunização após a vacina não é imediata, levando alguns meses para agir no organismo. 

Ainda seguindo as orientações da neurologista Lívia Lobo, as mães podem se tranqüilizar porque a área da saúde da cidade está preparada para atender possíveis casos. “Infelizmente vemos alguns casos que entristecem, mas também temos que lembrar que o nosso calendário vacinal é premiado em todo o mundo”, encerrou Drª Lívia.

Como se define um caso suspeito de meningite
 

Crianças acima de 1 ano e adultos com febre, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez da nuca, convulsões e/ou manchas vermelhas no corpo.Em crianças abaixo de um ano de idade, os sintomas clássicos podem não ser tão evidentes. É importante considerar para a suspeita diagnóstica sinais de irritabilidade, como choro persistente, sonolência, convulsões, anorexia. 

Proteção individual e da população – O isolamento do paciente está indicado apenas durante as primeiras 24 horas do tratamento com o antibiótico adequado. Nos casos de doença meningocócica ou meningite por Haemophilus influenzae está indicada a quimioprofilaxia do caso e dos contatos próximos. O medicamento de escolha para a quimioprofilaxia, prevenção por intermédio de remédio, é a rifampicina, que deve ser administrada em dose adequada e simultaneamente a todos os contatos próximos, sob orientação de um profissional da Vigilância Epidemiológica.

Doença Meningocócica – caracteriza-se pela presença de quadro clínico suspeito associado a petéquias/sufusões hemorrágicas pelo corpo ou exame laboratorial compatível com Neisseria meningitidis. 

Contato íntimo: moradores do mesmo domicílio, indivíduos que compartilham o mesmo dormitório e/ou ambientes de trabalho e estudo, comunicantes de creches e pessoas diretamente expostas a secreções do paciente.
Proteção dos profissionais de saúde - A quimioprofilaxia não está indicada para pessoal médico ou de enfermagem, sem uso de EPIs, que tenha atendido pacientes com meningites bacterianas, a menos os que tiveram exposição às secreções respiratórias durante procedimentos como respiração boca a boca e/ou entubação e/ou exame de fundo de olho.

 
Atenção aos sintomas e aos tipos da doença
 

Pais e mães devem ficar atentos à saúde dos filhos, como também se informar sobre possíveis casos dessas doenças nos locais freqüentados por eles: escolas, clubes, academias. “A grande preocupação está ligada a um tipo de meningite, a meningocócica, que pode ser transmitida pelo convívio próximo com pessoas infectadas. O diagnóstico tardio pode levar a morte”, explica o infectologista Luis Fernando Aranha Camargo.
As meninges são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A inflamação dessas membranas é a meningite. Bactérias, vírus e fungos, quando atingem as meninges, causam a inflamação que pode se espalhar por todo o sistema nervoso central. De acordo com dr. Luis Fernando, drogas e outras doenças como leucemia também podem causar meningite. “Mas esses tipos são os mais raros”, diz.

As mais comuns são as virais e as bacterianas. As primeiras são, em geral, brandas e podem acometer tanto adultos como crianças. Os sintomas são muito parecidos com os de gripe, pois o doente tem febre e dor de cabeça. A nuca fica um pouco rígida e dolorida. A maioria das meningites virais evolui sem grandes problemas e o tratamento é igual ao da gripe, com antitérmicos e analgésicos.

“Já a bacteriana, se não for diagnosticada precocemente pode levar à morte”, alerta o infectologista. Os três tipos de meningites bacterianas mais comuns são causadas pelas bactérias meningococos, pneumococos e Haemophylus. Das três a meningocócica é a mais facilmente transmissível pela via respiratória e também a mais terrível por ter a evolução do quadro clínico mais rápida. Já a pneumocócica e a Haemophylus acontecem com menos freqüência, pois as vacinas existentes são bastante eficazes na prevenção desses dois tipos.

Os sintomas dos três tipos de meningite são parecidos. O que vai diferenciar um do outro é a intensidade e a rapidez com que o quadro clínico evolui. Por isso, é importante consultar um médico assim que os sintomas começarem a aparecer.
Quando a bactéria atinge as vias respiratórias, passa do nariz para o sangue, é levada para o cérebro, onde estão as meninges, e aí acontece a infecção. Em pouco tempo aparecem os sintomas: febre alta, vômitos, dor na cabeça e no pescoço, mal-estar e dificuldade de encostar o queixo no peito. Em alguns casos aparecem manchas arroxeadas que significam que as bactérias estão circulando pelo corpo, ou seja, há uma rápida disseminação da doença pelo organismo, podendo causar uma infecção generalizada.

Somente o médico pode diagnosticar qual o tipo de meningite está instalada no organismo. Um exame do líquido cefalorraquidiano, puncionado da espinha, aponta qual agente infeccioso esta no organismo. Com base nesse exame e nos sintomas, o médico irá indicar o tratamento correto.
“Automedicação nunca. Esperar a evolução do quadro em casa é correr sérios riscos”, alerta o Dr. Luís Fernando Aranha Camargo. O procedimento correto é procurar orientação médica mesmo que os sintomas pareçam com uma simples gripe. Especialmente quando o quadro ocorre em crianças”, completa.

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