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Crise atinge, em cheio, a economia de Macaé. Cenário é desolador

Crise atinge, em cheio, a economia de Macaé. Cenário é desolador

March 02
11:57 2015

“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”. A frase, escrita pelo clássico dramaturgo italiano Dante Alighieri (1917-1963) retrata bem o momento de Macaé frente à crise econômica que afeta o setor do petróleo. Com 63% de seus empregos formais atrelados à cadeia offshore, a cidade é a mais impactada com a queda no valor do barril do petróleo e pelo escândalo de corrupção da Petrobras. Diante este cenário de crise, uma onda de demissões assola a cidade e todos os setores da economia local começam a sentir seus impactos: lojas estão sendo fechadas, alugueis revistos e a Justiça do Trabalho bate recorde de ações trabalhistas. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Renda, nos últimos 12 meses, 60.456 moradores de Macaé perderam seus empregos.

O cenário da cidade, antes de pujante e otimista há dois anos hoje reflete bem o momento econômico brasileiro. Basta uma simples volta pela Avenida Rui Barbosa, principal pólo comercial da cidade para perceber um grande número de lojas fechadas. Nas principais galerias da cidade, como o Tropical Plaza e Galeria Carapebus há salas comerciais fechadas há mais de seis meses, cenários inimaginável há pouco tempo atrás. “A procura por pontos comerciais caiu drasticamente, forçando os proprietários a reverem suas políticas de preço. Tem clientes meus que estão baixando os valores dos alugueis em até 30%, pois estão levando prejuízo com seus imóveis fechados a tanto tempo”, explica Juarez Castro, corretor com mais de 20 anos de atuação no mercado macaense.

Segundo Juarez, não somente a procura por imóveis comerciais caiu, mas o reflexo da crise também afetou os negócios residenciais. “Não há mais procura para aluguel. Há imóveis que estavam com preço fixado em R$ 1.800,00 em bairro nobre aqui em Macaé e o preço já caiu para R$ 1.500 ou menos”, conta. Para ele, outro fator que vem mexendo com o preço dos imóveis tanto para a compra quanto para o aluguel é a grande oferta de apartamentos populares construído por grandes construtoras como a MRV e João Fortes. “Só estas duas construtoras estão entregando, juntas, quase oito mil apartamentos, com preços populares. Com tanta oferta de imóvel novo para a compra é comum que os preços dos imóveis tradicionais caia bruscamente. Num cenário de crise, a queda é ainda mais acentuada.

Outro setor da cidade que sofre com os reflexos da crise é o comércio. Segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2014, o setor gerou apenas 218 novos postos de trabalho na cidade, isso contanto as contratações temporárias de dezembro. Para este ano, a previsão é que o saldo entre contratações e demissões seja negativo e os comerciantes da cidade já prevêem um corte de pelo menos 20% de sua mão de obra.

Waldimarcio Mothé Costa, ex-presidente da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL) e proprietário da tradicional loja de confecções Flamboyan afirma que a queda no movimento do comércio do Centro de Macaé não pode ser ignorada pelos comerciantes e, quem não conseguir se adequar, vai acabar fechando as portas. “Hoje o maior custo é justamente com o aluguel e mão de obra, neste caso, quem tem loja própria consegue enfrentar a crise com mais estabilidade. No entanto, muitos tiveram que fechar as portas por não poder arcar com o alto valores dos alugueis. “O momento econômico da cidade é outro. É preciso que os proprietários de imóveis também se adéqüem à nova realidade. Quanto a nós, comerciantes, não resta alternativa, senão cortas custos”, afirma.


Hotelaria — Uma das áreas das cidades que sofrem impactos diretos da crise é o setor de hotelaria. Com 5 mil vagas, Macaé tem a segunda maior rede hoteleira do estado, perdendo apenas para o Rio. No entanto, segundo dados do Macaé Conventions & Bureau, o movimento caiu em 25% em 2014 e a tendência é que a queda seja ainda mais acentuada em 2015.
Nos restaurantes da Orla dos Cavaleiros a queda no movimento, até agora, gira em torno de 15%. Se a situação não melhorar nos próximos meses, a estimativa é que este setor também comece a fazer cortes.

O número de lojas fechadas em Macaé já bate recorde nos últimos meses. Segundo estimativa, 15% do comércio na cidade já está em retração.

O número de lojas fechadas em Macaé já bate recorde nos últimos meses. Segundo estimativa, 15% do comércio na cidade já está em retração.

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