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Em Casimiro mais um suposto caso de negligência no atendimento médico é denunciado

Em Casimiro mais um suposto caso de negligência no atendimento médico é denunciado

February 19
11:41 2014
Evaristo Feliciano denuncia o caso de negligência médica que, se comprovado, coloca em xeque a gestão terceirizada da saúde

Evaristo Feliciano denuncia o caso de negligência médica que, se comprovado, coloca em xeque a gestão terceirizada da saúde

 

 

 

 

Não é de hoje que a Saúde Pública de Casimiro de Abreu apresenta uma gestão, no mínimo, questionável. Mesmo com um contrato de R$ 52 milhões assinado com a empresa Instituto de Gestão e Humanização (IGH), que praticamente privatizou a saúde pública municipal, os problemas só tem aumentado. Na última semana, a morte do médico Sávio Costa Ferreira, que enfartou durante o plantão, ganhou repercussão em todo o estado. A Prefeitura alega que a morte nada teve a ver com as condições de trabalho, que vem sido criticadas por médicos e demais profissionais. No entanto, o caso do médico não foi isolado.

Esta semana, Antônio Moraes de Souza acabou sofrendo na pele o danos do mau atendimento: segundo a família e amigos, Antônio, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) acabou cego, após ter o atendimento negligenciado na unidade de saúde administrada pelo IGH. Quem nos relatou o caso foi o construtor Evaristo Feliciano. Ele conta que, ao sair do trabalho para almoçar, na quarta-feira (12) se deparou com uma moça pedindo socorro no Bairro Indaiaçu. “Ela disse que um membro de sua família estava passando mal e profissionais da saúde já haviam diagnosticado que ele estava tendo um AVC. Ela me disse que o enfermeiro foi até o hospital atrás de uma ambulância, mas, duas horas depois o carro ainda não havia chegado. No desespero, ela me pediu ajuda”, relatou Evaristo.

Segundo Evaristo, por horas, a família tentou contato com o hospital pelo telefone, mas, não conseguiram. Assim sendo, o próprio construtor foi até o Hospital Ângela Maria Simões Menezes em busca de socorro para Antônio Moraes. Ao chegar à unidade, Evaristo foi questionado se era parente da vítima. Para sua surpresa, a atendente disse que não poderia fazer nada, porque ele não tem vinculo familiar com a vítima. “Eu não acreditei no que estava ouvindo. Comecei a questionar se ela tinha conhecimento do que é omissão de socorro. Então se eu vir uma pessoa caída o chão, numa praça pública não poderei ajudar?”, indagou. No entanto, membros do hospital pediram que a família ligasse, mas, novamente, não conseguiram.

Quando um dos membros da família conseguiu contato com profissionais da saúde, ele teve que comprar briga para conseguir atendimento. “No hospital eles disseram que Antônio era um homem bêbado. Fizeram pouco caso dele. Ele já estava todo torto no chão. Foi lamentável”. A vítima começou a passar mal às 09h da manhã. Até meio dia ele estava caído no chão, precisando de atendimento. Quando o socorro chegou, o homem estava no chão, porém acordado. “O enfermeiro queria que ele fosse andando até a ambulância. Foi vergonhoso”, relata.

No hospital, realmente foi diagnosticado que ele sofreu um AVC, mas, aí já era um tarde. Antônio Moraes já estava cego. “Houve negligência no atendimento. Mesmo que ele estivesse bêbado (não era o caso) eles tinham que atendê-lo. A saúde em Casimiro de Abreu vai de mal a pior. Precisamos de politicas públicas mais eficazes”, criticou Evaristo Feliciano.
A família de Antônio não quis dar entrevista. Insistimos em falar com o irmão, Arley Soares, que apenas confirmou que seu irmão realmente tem muitos problemas com o álcool. “No dia em que ele passou mal, ele estava sóbrio”, enfatizou o irmão. Até o fechamento desta edição, Antônio permanecia internado.

Mais caos na saúde: O filho da dona de casa Alessandra Pimentel Pires machucou o pé em um jogo de futebol. Ele foi levado ao médico na terça-feira (11), foi tirado raio-x e foi diagnosticado que ele quebrou o dedo. O menino sentia dor, e nem receitaram remédio.
“Não tinha ortopedista na unidade. Eles disseram para eu voltar na quarta-feira. Eu voltei no dia seguinte e nada de especialista. Apenas enfaixaram o pé do meu filho. Aí mandaram voltar quinta. Mas, o que vou fazer lá se nunca tem atendimento?”, disse. O menino tem 16 anos e até o fechamento desta edição ele ainda estava com dores.

Por telefone, nossa equipe de Reportagem tentou contato com a O.S IGH, responsável pela gestão da saúde de Casimiro de Abreu. Porém, até o fechamento deste edição, não havíamos obtido resposta sobre os casos reatados.

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Em nota, Prefeitura nega ilegalidades na gestão

 

Na última sexta-feira, a prefeitura de Casimiro de Abreu enviou numa nota de esclarecimento à nossa redação se justificando a respeito da morte do médico Sávio Costa Ferreira e dos problemas denunciados na reportagem. A matéria cita a denúncia de que o médico teria morrido apo discutir com um representante da IGH, no entanto, segundo a prefeitura a discussão aconteceu sim. Porém foi com um paciente. A nota alega também que o fato ocorreu no dia 10 de janeiro e o médico só veio a falecer na segunda-feira, dia 13. No entanto, nenhum documento foi enviado pela prefeitura comprovando que sua tese é verdadeira. De prova até agora, só existe um vídeo em que o médico, visivelmente alterado, discutia com alguém que parecia ser da coordenação. O vídeo pode ser visualizado em nosso site na Internet.

Quanto ao contrato de R$ 52 milhões assinado com o IGH e a terceirização da contratação de mão de obra, a nota destaca que a parceria de serviços de saúde para entidades privadas sem fins lucrativos encontra respaldo normativo na Lei Federal. No entanto, não esclareceu se a IGH é usada ou não para intermediar a terceirização de mão de obra. “Atualmente, o IGH possui um Contrato de Gestão com o Município, precedido de procedimento licitatório, em que exerce em parceria com o Poder Público atividades sociais relevantes na área da saúde, devendo alcançar metas e produtividade junto à população. Trata-se de medida que torna a prestação de serviços públicos mais eficazes e, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, econômicos para o erário” justifica a nota.

Outro argumento apresentado pela prefeitura lembra ainda que a medida (terceirização de serviços médicos por O.S) é muito comum no Município do Rio de Janeiro, como se depreende do do “Programa Clínica da Família” e também na Administração Pública Estadual através das UPAs, visto que hoje boa parte delas gerenciadas por Organizações Sociais. No entanto, o texto não cita o fato de que Casimiro, ao contrário do Governo do Estado e do município do Rio de Janeiro, não terceirizou apenas alguns programas específicos. Na cidade de Casimiro toda a administração do sistema é terceirizada para a IGH.

Quanto ao processo judicial citado na matéria (que questiona a contratação de outra OS., a Global), a nota afirma que ele não há nenhuma relação com a atual administração, mas sim com uma contratação feita sem licitação pelo prefeito anterior na área da Saúde. No entanto, segundo a denúncia acolhida através da ação pública Nº 0000863-80.2012.8.19.0017, o nome que figura como réu, é o do atual prefeito Antônio Marcos de Lemos Machado, não o de seu antecessor.

 

 

 

 

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