Weather United States of America, Seattle United States of America, Seattle +6°C

Jornal Expresso Regional Online

Em macaé, 19 mil pessoas vivem na linha da miséria

Em macaé, 19 mil pessoas vivem na linha da miséria

Em macaé, 19 mil pessoas vivem na linha da miséria
August 04
11:27 2014

Macaé completou esta semana 201 anos ostentando uma das maiores rendas per capita do país. Porém, tão grandioso quanto o orçamento da cidade, turbinado com royalties, é o tamanho do desafio que a cidade enfrenta. O município conta atualmente com uma receita de R$ 2,2 bilhões. No entanto, a incidência de pobreza é de 14,65% (dados do último Censo). Mais alarmante ainda é a quantidade de pessoas abaixo da linha da miséria 9,93%. Ou seja, na cidade que produz 85% do petróleo nacional, ainda há mais de 19 mil pessoas vivendo em condições miseráveis. Para o IBGE, a linha de pobreza é quando a renda per capta de uma família é de até R$ 70 reais. As famílias que tem rendimento inferior a esta faixa são consideradas em condições de pobreza extrema.

Os indicadores sociais municipais, pesquisa realizada pelo IBGE mostra o óbvio: Macaé é uma cidade muito rica, porém com uma população extremamente empobrecida. Com uma renda per capta de até R$ 70 reais (situação em que vivem 19 mil macaenses), podemos supor, por exemplo, que uma família de quatro pessoas precisa se virar com menos de um salário mínimo por mês. Reflexo de uma cidade que ainda precisa avançar, e muito, na questão social e de distribuição de renda.

Favelas em qualquer canto — Outro dado alarmante é o índice de favelização do município. Segundo o IBGE, dos 66 mil domicílios ocupados em Macaé, 11.413 estão localizados em favela. Isso representa que a cidade tem 36.222 pessoas vivendo em 12 favelas. A maior parte destas residências portanto não conta com redes regulares de água e de esgoto.

Emprego versus subemprego — Para a população residente de Macaé um desafio constante é adaptar sua renda ao alto custo de vida do município. Embalado por ondas de imigração que atingiram [e ainda atingem] a cidade desde o início das atividades de exploração de petróleo nas décadas de 70 e 80, o mercado imobiliário municipal sofreu um boom. Hoje em dia, regiões como o Parque Aeroporto e Aroeira (bairros periféricos da cidade) chegam a ter o metro quadrado mais valorizado do que bairros da zona sul carioca.

O custo do aluguel também é fora da realidade: uma casa de quatro cômodos em qualquer bairro custa em média R$ 700,00. Sem alternativas viáveis de moradia, a população da cidade acaba empurrada para as 12 favelas do municípios ou para bairros-limite como o Balneário Lagomar, onde a maior parte das residências encontram-se em áreas de invasão. Além do valor da moradia, os custos com alimentação, combustível e educação também são alarmantes. Apesar de ter tanto petróleo, Macaé consegue vender a gasolina mais cara do estado.

Para entender como uma cidade tão rica pode ter uma população tão empobrecida é preciso olhar para o mercado de trabalho local. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego os três maiores empregadores do município são a indústria do petróleo e o comercio varejista. No entanto, sem qualificação profissional, a maior parte da população local não tem acesso ao mercado offshore (onde há os maiores salários). Resta ao macaense nativo apenas ocupações consideradas subempregos, como o próprio comércio (onde o piso salarial é de apenas R$ 920). O dinheiro do petróleo, portanto, que deveria circular na cidade acaba indo embora, já que os empregos offshore são ocupados essencialmente por moradores de outras cidades.

Porto: alternativa ou mais do mesmo — Agora, no limiar de seu segundo século, Macaé encontra-se diante outro paradoxo. A construção de um novo porto, na região do Barreto aparece como alternativa viável de desenvolvimento econômico. Porém, apesar de todas as promessas de emprego (segundo a empresa responsável pelo empreendimento serão 7 mil vagas), a dúvida que fica é a seguinte: será que o morador local, já excluído da industria do petróleo terá alguma chance de ingresso neste novo empreendimento? Sem que haja alguma chance de o macaense nativo se qualificar, a resposta parece mais que óbvia.
[Por André Luiz Cabral]

Share

Related Articles

0 Comments

No Comments Yet!

There are no comments at the moment, do you want to add one?

Write a comment

Write a Comment

Your email address will not be published.
Required fields are marked *

Publicidade

Publicidade

CURTA NO FACEBOOK

'