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Falta de respeito

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December 23
12:33 2013

 Médica sofre assédio moral e ameaça de morte em Casimiro

 

Francine Marcella

 

Assédio moral no ambiente de trabalho constitui crime e é uma triste realidade nas empresas brasileiras. Estes fatos acontecem com veemência, como foi o caso da médica endocrinologista Dra. Glaubênia Cerpa Costa. Seu inferno astral começou no posto de saúde de Professor Souza, distrito de Casimiro de Abreu (RJ), quando assumia a função de “generalista”, trabalhando na Estratégia da Saúde da Família (ESF).

Há três meses trabalhando na unidade, a carioca revela não ter sido avisada das condições precárias de trabalho no local. No entanto, seu objetivo era criar metas junto à equipe, visando oferecer um atendimento com mais qualidade aos moradores. A partir daí, ela reuniu os profissionais para conversar sobre o serviço. Este foi seu primeiro embate. A enfermeira não aprovou sua maneira de trabalhar e uma série de conflitos foi iniciada.

Para piorar a situação, Glaubênia foi solicitada por outras profissionais da unidade para carimbar encaminhamentos receituários controlados e não controlados sem mesmo avaliar os pacientes. “A enfermeira se encarregava de tudo e me pedia para carimbar”. Ao recusar a ilegalidade, ela começou a sofrer perseguição e abuso moral. “Eu jamais vou ferir a ética do meu trabalho. Recusei sim a prática de atos ilícitos. Eu trabalho com metas. Meu objetivo era apenas oferecer um atendimento mais humanizado à população”, revela a doutora.

Os colegas de trabalho passaram a não cumprimentá-la. A médica tinha a chave das salas que usava para se trocar e mexer nos arquivos. Certo dia chegou para trabalhar e deparou com a fechadura trocada. A médica começou a apresentar sérios problemas de saúde, sua pressão arterial começou a ficar alta, e seu emocional totalmente abalado. “Já trabalhei em vários estados brasileiros. Até no centro-oeste, onde o conservadorismo é grande, nunca tive problemas. Eu não esperava passar por essa situação”, destaca.

A situação ficou ainda mais crítica quando ela voltou de uma visita domiciliar. A médica se deparou com uma pessoa em sua sala. Mas, a princípio, pensou que fosse um paciente a esperando. “Entrei na sala e tinha um homem me aguardando. Assim que entrei, ele trancou a porta, colocou uma arma em cima da mesa e disse ‘ou reza pela cartilha ou sua cabeça vai rodar’. Fiquei assustada”, conta. Mesmo assim, ela não aceitou a ameaça.

Isso aconteceu em uma quinta-feira (5). Na segunda-feira seguinte, ao chegar ao trabalho, seus papeis demissionais estavam em cima da mesa esperando sua assinatura. Ela procurou o secretário de saúde e o prefeito para revelar a situação, porém, ambos não a atenderam. Segundo Glaubênia, uma das coordenadoras da unidade, disse claramente que as razões que a levaram a ser demitida eram políticas, e não técnicas.

Após este dia fatídico, ela recebeu apoio do amigo Jorge Silveira e também do vereador Rafael Jardim, que inclusive, destacou o fato em uma das sessões da câmara. Ela registrou um boletim de ocorrência, encaminhou a denúncia ao Ministério Público, Direitos Humanos e também na Ouvidoria do SUS. Por enquanto, ela ainda não entrou com processo judicial, até mesmo pelo desgaste emocional de enfrentar a justiça. Glaubênia relatou tudo nas redes sociais e recebeu apoio dos amigos.

 

 

 

 

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