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Gestão estadual entra em colapso nas cidades da região

Gestão estadual entra em colapso nas cidades da região

February 02
08:27 2015
Falta de água, problema recorrente na região gerou protestos na última semana

Falta de água, problema recorrente na região gerou protestos na última semana (foto: Andreia Freitas)

Reeleito com o apoio de todos os prefeitos da região, o governador Luiz Fernando Pezão tomou posse em seu segundo mandato demonstrando não ter o mínimo de gratidão a quem o apoiou. Uma de suas primeiras medidas foi fechar vários Departamentos de Policiamento Ostensivos (DPOs) na região, um no distrito de Barra do Furado, em Quissamã e dois na região serrana de Macaé, em Glicério e no Sana. Soma-se a isso ainda os freqüentes problemas de abastecimento da região, responsabilidade no estado: alguns bairros de Macaé e Rio das Ostras chegam a estar há 40 dias sem água. Para piorar, com os cortes orçamentários no orçamento estadual há o perigo iminente de que várias obras previstas para a região, como a duplicação da Rj-106 não saiam da promessa.

Uma das localidades que sofreram corte na segurança pública foi a de Barra do Furado, em Quissamã. No início de janeiro a Polícia Militar resolveu fechar o DPO da localidade, o que levou diversos moradores a realizar um protesto no dia 16/01. Após a manifestação, o governo estadual resolveu voltar atrás e reabrir o posto, no entanto, o policiamento de fato deixou de existir. Na última quarta-feira, dia 28, a equipe do Expresso Regional foi até o distrito e não encontrou nenhum policial no posto que, de fato, está reaberto. Porém, em vez de Policiais Militares, havia apenas um guarda municipal fazendo a segurança. Perguntado sobre a existência dos PMS, o servidor respondeu que “os policiais estavam rodando”. Porém, após circular por todo o distrito não encontramos nenhum policial. Nas ruas, a população confirmava que a localidade está desguarnecida de policiais, alvo fácil para bandidos.

“Nem sei como estou conseguindo trabalhar. Não tem mais polícia aqui, logo estamos vulneráveis. A prefeitura colocou uns guardas municipais no posto, mas os marginais não respeitam”, diz a comerciante Cilene de Souza que, há 18 anos, trabalha em um dos quiosques da localidade. A mesma queixa vem da servidora pública Tatiane Azevedo. “Colocaram um guardinha lá no posto para dizer que ele está aberto mas, a verdade é que ele não funciona. Se bem que, com polícia ou sem polícia, sempre estivemos desprotegidos. Eles e nada são a mesma coisa”, critica.

Além do DPO de Barra do Furado, a serra de Macaé também sofreu baixas na segurança pública, já que os postos de policiamento de Glicério e do Sana também foram fechados. Apenas Córrego do Ouro continua com policiamento regular.
A notícia do fechamento dos DPOs, chega justo num momento em que a segurança precisa ser reforçada. De acordo com o Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP), os números da criminalidade não param de crescer na região. Em 2014, segundo o instituto, foram 137 assassinatos e 179 estupros na região. O números de assaltos a mão armada também tem crescido assustadoramente na região: foram 2207 registros.

 

Falta de água gera protestos

Outro problema endêmico na região, sob responsabilidade do estado é a falta de água. Na última quinta-feira, dia 29, moradores da Ajuda e do Novo Cavaleiros realizaram um protesto contra a falta de água. Eles alegam que a companhia deixou os bairros sem abastecimento por 40 dias, apesar de as contas chegarem religiosamente em dia. O governo do Estado promete há anos investir na ampliação do abastecimento de água em Macaé, porém há bairros onde sequer existe rede de distribuição, como o caso da Piracema. Em outros, como o Planalto da Ajuda, apesar de haver a rede de água, não há abastecimento regular há cerca de 14 anos. Somente as contas chegam em dia.

“Aqui falta de tudo, principalmente água. A gente tem que comprar água para tudo, gastamos cerca de R$ 80 por semana. Além disso, o bairro alaga muito. Basta uma chuvinha para que alague. Muitas pessoas estão abandonando suas residências térreas. Quem tem condição,compra carros-pipas, quem não tem está sofrendo”, relata a doméstica Tânia Aparecida Sebastião, moradora da Piracema.

Em Rio das Ostras o problema se repete. Em bairros como Jardim Miramar e Extensão da Serra, água é artigo de luxo. Para o morador José Carlos, a situação passou os limites do aceitável. “Já cansamos de pedir para os políticos olharem para nosso bairro com bons olhos. A cidade tem crescido muito para este lado. Aqui, não temos saneamento básico, água, pavimentação”, disse.
Em muitos bairros da cidade, a inexistência de rede de distribuição de água potável cria um ambiente insalubre vulnerável para desenvolver doenças, inclusive, algumas fatais. Na cidade, a prefeitura chegou a realizar um convênio com a Cedae, onde o município investiu R$ 30 milhões para a melhoria do abastecimento entre os anos 2008 e 2010. Porém, mesmo com o aporte de verba municipal investido, o problema não se resolveu.

 

Obras podem parar devido a cortes

Como se já não se bastasse os sérios problemas de segurança a abastecimento na região, a situação ainda pode se agravar. Na terça-feira, 27, prefeitos e representantes da cidade da região se reuniram no gabinete do prefeito de Macaé, Dr. Aluízio para traçar alternativas para a crise econômica que afeta a região. Na pauta, estava a preocupação com o corte de verbas bilionário anunciado pelo governador Luiz Fernando Pezão. O temor dos prefeitos é de que isso paralise, ou mesmo provoque o cancelamento de obras estaduais na região.

O Estado anunciou no último ano grandes investimentos para a região, entre eles, mais de R$ 60 milhões para a construção do Arco Viário de Santa Tereza, em Macaé. A obra viria como compensação à sessão dos módulos do Veículo Leve Sobre Trilho (VLT) de Macaé para o Estado. Porém, até hoje os trens continuam no mesmo lugar e a obra da estrada ainda não começou. Outro investimento ameaçado é a sonhada suplicação da RJ-106, que liga Rio das Ostras a Macaé. A obra chegou a ser anunciada no último ano, porém seu começo também pode ser adiado devido aos cortes anunciado por Pezão.

Para Dr. Aluízio, o momento é de união. “Vamos fazer uma outra reunião com os prefeitos, secretários de Fazenda e controladores da região para ver quais medidas poderemos tomar juntos, para nos fortalecemos em meio a crise. O importante, agora, é agirmos como bloco”. O prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino, presente à reunião concorda. Para ele, é fundamental garantir que o Estado não descontinue os investimentos anunciados para a região. “Temos que garantir que obras fundamentais para a região, como a duplicação da RJ-106 não sejam afetadas pela crise”, disse.

 

 

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