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No ar em “Saramandaia”, Tarcísio Meira mostra-se sem estrelismo e bem disposto

No ar em “Saramandaia”, Tarcísio Meira mostra-se sem estrelismo e bem disposto

September 24
09:52 2013
Na TV desde o final dos anos 1950, Tarcísio se tornou uma lenda viva da dramaturgia

Na TV desde o final dos anos 1950, Tarcísio se tornou uma lenda viva da dramaturgia

Os adjetivos e referências que acompanham a imagem e compõem o currículo de Tarcísio Meira são, no mínimo, intimidadores. Um dos maiores galãs da tevê e protagonista de tramas clássicas como "Irmãos Coragem", "Escalada" e "O Semideus", Tarcísio carrega no olhar, no discurso e nas atitudes a experiência de quem sabe que faz parte da história da teledramaturgia nacional. No entanto, aos 77 anos, chama a atenção a modéstia e o pragmatismo com que o ator enxerga sua trajetória e profissão. "Eu fico muito feliz de ser chamado para coisas interessantes mesmo passando dos 70 anos. Tive a oportunidade de viver intensamente todas as fases da minha carreira. A que estou vivendo agora, inclusive, é excepcional", conta o intérprete do rabugento Tibério do "remake" de "Saramandaia". 

Na tevê desde o final dos anos 1950, quando participou do "Grande Teatro Tupi", o ator paulistano se empolga ao falar do atual personagem. Na pele de Tibério, um homem que criou raízes na sala de sua própria casa, ele reclama, xinga e desdenha de sua família e inimigos, mas mantém intacto seu amor por Candinha, de Fernanda Montenegro. "Gravo sempre sentado e preso às botas de Tibério. É uma experiência interessante, onde não posso utilizar tanto o corpo, mas sim as feições", detalha. Próximo do final da trama, Tarcísio exalta o tom diferenciado do texto de Dias Gomes, agora adaptado por Ricardo Linhares. E se revela um entusiasta de uma suposta renovação dos folhetins. "Estava tudo muito parado. A nova safra de autores, que trouxe gente como o João Emanuel Carneiro, e a aposta em tramas de linguagens diferentes, como 'Cheias de Charme' e 'Saramandaia' deram novo vigor à tevê. É bom ver esse movimento", analisa.

Expresso — Você participou da primeira versão de "Saramandaia" e protagonizou "Araponga", ambas produções assinadas por Dias Gomes. Como foi voltar ao universo do autor, agora adaptado por Ricardo Linhares?

Tarcísio – Foi divertido. Na primeira versão de "Saramandaia", foi apenas uma participação especial, aparecia como Dom Pedro I e dava uma "passadinha" por Bole-Bole. Acho que o fato de revisitar a obra do Dias empolgou todo mundo que aceitou participar dessa nova adaptação. O Ricardo Linhares se apropriou da história com respeito, mas de olho na atualidade também. Inspirado pelo realismo fantástico do Dias, criou personagens tão geniais quanto os originais. O Tibério, por exemplo, não existia na versão original. Embora trabalhoso, foi um personagem muito gostoso de fazer.

Expresso — De tanto ficar sentado, o Tibério criou raízes em sua própria sala. O quão complexo foi passar boa parte da trama em uma poltrona?

Tarcísio – O corpo é parte importante da atuação. Eu só podia mexer o rosto e um pouco dos braços. Estava preso a uma bota. A parte cansativa era essa, tive de colocar para fora todo o lado ranzinza, odioso e sem muitos escrúpulos dele com algumas limitações de movimento. Mas é bacana quando o autor e o diretor colocam a gente, que já está na estrada há tanto tempo, para fazer coisas diferentes.

Expresso — Em "Saramandaia", você atuou ao lado de uma nova geração de atores, como o Pedro Tergolina e a Laura Neiva. Como encara o contato com o elenco mais jovem?

Tarcísio – Já estive na posição deles e sei que é difícil. Tudo é muito novo. E contracenar com pessoas mais experientes é intimidador. Mas sou o primeiro a quebrar qualquer "gelo". Engraçado, a maioria me vê na tevê desde que nasceu. Nesse caso, o ideal seria que eles já tivessem intimidade com a minha presença. Mas não, ficam todos me tratando como se eu fosse um "monstro sagrado" (risos). Isso é bobagem. Procuro me enturmar e tudo fica mais natural.

Expresso — Nos últimos anos, você tem se envolvido em projetos mais curtos, como a série "Afinal, O Que Querem As Mulheres?", e participações especiais em novelas como "Insensato Coração" e "Gabriela". É uma preferência sua não ter vínculos tão longos com a tevê?

Tarcísio – Não tenho mais a ansiedade de ir pautando meus projetos futuros. Vou sendo chamado. Se for atraente e eu puder fazer, as coisas acontecem. Esses últimos projetos foram baseados nas minhas relações afetivas com o Luiz Fernando Carvalho (diretor), o Gilberto (Braga, autor) ou com uma novela marcante como "Gabriela". Continuo disposto e sem me ligar muito se a novela será mais curta como "Saramandaia" ou se a duração será mais tradicional, caso de "A Favorita", o último folhetim que eu fiz inteiro.

Expresso — Próximo do fim de "Saramandaia", você destacaria alguma cena especial de seu personagem?

Tarcísio – Tibério teve cenas bem curiosas. Nunca tinha contracenado com um "tablet" e foi engraçado fazer isso. Tive bons momentos com todo o meu núcleo, mas é impossível não destacar as cenas que fiz com a Fernanda (Montenegro). A gente se conhece há muito tempo e contracenou pouquíssimas vezes. Fazer par romântico com ela foi algo novo para mim e as cenas eram muito emocionais. Durante as gravações do reencontro dos dois, o estúdio ficou cheio de gente assistindo e se emocionando junto conosco.

(Da TV Press)

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