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Sem ajuda do poder público, Helianna Barcelos mantém o mais completo acervo de Quissamã

Sem ajuda do poder público, Helianna Barcelos mantém o mais completo acervo de Quissamã

Sem ajuda do poder público, Helianna Barcelos mantém o mais completo acervo de Quissamã
November 17
12:35 2015

“É o resultado de um sonho”. É assim que Helianna Barcellos, mais conhecida como Leninha, define o Espaço Cultural José Carlos de Barcellos (ECJCB), sede do projeto “Quissamã Memória Viva”. O ECJCB abriga um acervo cultural baseado na literatura existente, registros da paróquia e na tradição oral, que já ganhou diversos prêmios de incentivo à cultura, inclusive o prêmio Brasil Criativo, do Ministério da Cultura.
Leninha, nascida e criada em Quissamã, morou grande parte da vida em Niterói, mas sem nunca esquecer a terra natal. “Sempre pensei em voltar a morar aqui, onde já estou há 20 anos, com o objetivo de construir um espaço que abrigasse a memória. Comecei o Quissamã Memória Viva em 04 de dezembro de 1994, oficialmente”, relembra a fundadora e curadora do projeto. Segundo Leninha, desde a juventude ela percebia a ausência de registros da história social de Quissamã. “Você pega os livros oficiais e não encontra nada falando da benzedeira, da costureira, do maquinista, do homem da terra, você não sabe essas histórias. E são histórias lindas, ricas”. Uma das curiosidades narradas por Leninha à equipe de reportagem foi a de que em Quissamã todo jogador de futebol era operário. “Eram vários times na cidade, existia competição”.
Atualmente abrigando a exposição fotográfica “Um Sonho em Construção” o espaço cultural também é uma homenagem de Helianna Barcellos ao pai, José Carlos Barcello. “O meu pai foi o grande inspirador. Ele escreveu jornal, se dedicou à banda musical da cidade, da qual foi diretor, além de ser um defensor do esporte. Por mais que tenha feito tudo isso, nunca havia sido homenageado, então um dia falei para o meu marido que queria fazer um espaço cultural, e dar a ele o nome do meu pai. Eu quero fazer justiça a pessoal que ele foi” explica a “mascate de sonhos”, como se autodenomina Helianna.
Professora de pintura sobre porcelana por mais de 25 anos, Leninha também tem exposto no ECJCB alguns dos seus trabalhos. “Comecei a trazer para a porcelana aspectos da nossa arquitetura, e dai foi surgindo várias curiosidades”. Em um trabalho detalhista, a curadora pinto na porcelana mapas de Quissamã, além de retratar aspectos do cotidiano da cidade.
A casa que abriga o espaço, concebida exclusivamente para o ECJCB, demorou dois anos e três meses para ser erguida, e contou com o esforço pessoal de dona Leninha e seu falecido marido. “Aquele piso ali do andar de baixo, foi eu que montei. Azulejo por azulejo, sem qualquer emenda”, conta ela mostrando, orgulhosa, o enorme mosaico artístico montado com porcelanas meticulosamente escolhidas a fim de formar um enorme “tapete frio”. “No entanto, fizemos isso tudo não para nos orgulhar e sim para deixar algo de valioso para as futuras gerações”, relata.
Na última semana, Leninha, aos 79 anos, se preparava para mais um evento do ECJCB em parceria com o Instituto Federal Fluminense que ocorreu entre os dias 12 e 14. A V Semana Fluminense do Patrimônio levou para o espaço cultural palestras e mesas redondas que debateram o passado arquitetônico, preservação do patrimônio e identidade cultural.
Para os interessados, a exposição funciona com horário agendado pelo telefone (22) 2768 1365, assim como a visitação ao acervo do espaço cultural, para escolas, grupos e interessados em conhecer o local.

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